
Essa cartinha Junia me deu no Dia dos Pais.
Quinta feira, 17 de abril, eu queria porque queria ir a praia!
A Lorena ainda não havia chegado do colégio. Resolvi entrar no mar do Recreio, que delícia! Apesar do mar estar um pouco agitado em algumas partes, e em outras apenas uma “piscininha” gelada e salgada, estava uma delícia! Não me contentei em entrar sozinha e depois de alguns mergulhos chamei meu pai pra me acompanhar! Posso fechar meus olhos e lembrar daquele momento, um perfeito banco de areia se formava. Meu alvo era aquele lugar, as ondas quebravam lá enfraquecendo-se até a praia. Independente do que estivesse no caminho até aquele ponto, eu enfrentaria, eu atravessaria… E para ajudar toda a minha força de vontade, havia apenas uma “lagoazinha”, o que me incentivou ainda mais!
Não percebia que a correnteza estava me levando para outro extremo da praia, ondas nos jogavam para outro lado. Mas a alegria e a empolgação, o feitiço do mar, nos fazia ir cada vez mais para dentro do mar.
O sonho acabou. Meu primeiro gole de água, ondas e mais ondas… Pavor, medo? Quais seriam as melhores palavras para decifrar aquele momento, aquele sentimento que me possuía? Cada onda que vinha passava com mais voracidade, cada vez mais longa. Eu não tinha mais respiração, mais fôlego, mais coração para agüentar tudo aquilo! Coragem, força, persistência só me tomaram quando conseguir ver meu PAI… Ao mesmo tempo em que me veio o desespero, algo mais forte me encorajou: meu PAI estava morrendo! De onde eu estava conseguia vê-lo. “Senhor, protege meu PAI, salva meu PAI! Eu preciso dele!”.
A resposta veio rápida! Um salva-vidas veio a mim e eu supliquei: “Busque meu PAI! Salve meu PAI! E se você não conseguir salvar meu Pai, por favor, não volte para me salvar”.
Não sei como eu estou viva neste exato momento, mas o maior milagre de todos é ter você PAI aqui junto de mim porque eu te amo Pai.
Obrigada, Senhor!
Lendo essas palavras da minha filha, me lembro bem do primeiro momento que percebi não ter forças pra voltar à praia. “Mas eu posso” pensei. Debati-me pensando que estava nadando, mas não saía do lugar.
As ondas e a correnteza faziam o que queriam de mim. Lutei com todas forças, gritei por socorro com o melhor das minhas cordas vocais, mas parecia que ninguém me ouvia, ninguém me via. Chorei pensando: “Meu Deus o que é que eu estou fazendo aqui? Há poucos minutos eu estava na areia com minha esposa… que bobeira que eu dei. Vou morrer!”. Com os músculos doendo, me entreguei para a morte.
Foi quando ouvi uma voz: “ACALME-SE QUE EU ESTOU AQUI”. Preciosa voz eu ouvi. Mas aonde? Tenho certeza que ouvi e para quem estava morrendo, me veio energia e encontrei a cabeça de um salva-vidas. Quis colocar minha mão nele. Estiquei o braço, mas ele se afastava vendo minha agitação.
Ele pedia calma. Mas calma como? Ele era minha salvação, eu queria ir ao encontro dele. E ele esperava que eu me entregasse. Ele gritou: “Você tem que morrer! Se faça de morto!”. Então que entendi. Morri, me entreguei, bebi água. Fui embora e quando ele viu a minha entrega, foi ao meu encontro, me enlaçou pelo braço na altura do ombro e foi me levando. Vieram mais três salva-vidas com uma prancha, me colocaram em cima e me levaram.
Quando me jogaram na areia, receberam pelo rádio um chamado para um velhinho que estava se afogando. Saíram todos de moto para o local e eu fiquei na areia jogado, pensando que por mais uns minutinhos poderia não ter salva-vidas para mim.
Estamos neste mundo, um grande mar de perdição, onde muitas vezes nos encontramos submersos em pecados, problemas, prazeres… E quando tentamos por nossas próprias forças nos libertar, não conseguimos, e só o que conseguimos é ir mais e mais para o fundo. Mas temos um Deus que está a pronto a nos salvar, não importa a profundidade que tenhamos alcançado. Ele está disposto a mergulhar fundo e nos puxar de volta para a Luz. Entretanto, Ele precisa que nos entreguemos, que não tentemos mais lutar sozinhos. Nós devemos morrer pra nossa capacidade, para que Ele nos liberte e nos salve. “ Se os fardos do mundo levou sobre seus ombros, sei meu amigo, que Ele vai te carregar.”
Ele diz: “ACALME-SE QUE EU ESTOU AQUI”.
“…De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” Hebreus 13:5